BLOG QUE TRATA DE PSICANÁLISE

Um blog que diz de Freud, Lacan, Psicanálise, subjetividade, condição humana e outros assuntos afins, quase sempre muito interessantes...
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terça-feira, 25 de junho de 2013

CARTAS DE FREUD... GOSTARIA DE TE PEGAR POR TRÁS E CAGAR NA SUA CABEÇA...

CARTA DE FREUD ENDEREÇADA A FERENCZI EM 13/03/1910

“No geral, não sou nada mais do que uma máquina de fazer dinheiro que se esgota de tanto trabalhar nas últimas semanas. Um jovem russo rico que eu havia aceitado tratar por causa de uma paixão amorosa compulsiva declarou a mim depois da primeira sessão o seguinte, à guisa de transferência: ‘- Judeu ladrão, gostaria de te pegar por trás e cagar na tua cabeça’. Com seis anos de idade, o primeiro sintoma manifestou-se em xingamentos blasfemos contra Deus: porco, cão, etc. Quando ele via na rua três montes de estrume, sentia-se mal por causa da Santa Trindade, e procurava ansiosamente um quarto, para destruir a evocação.”

sábado, 8 de junho de 2013

CARTAS DE FREUD... EXIGINDO DE FERENCZI QUE ESTE APRENDA A COBRAR DOS PACIENTES

CARTA ENDEREÇADA A FERENCZI EM 12/04/1910

“O que o Sr. Me conta na última carta ocupou minha mente em diferentes direções. (...) O jovem rapaz de Pre*burg também está insatisfeito aqui com Sadger. Ele gosta mais do Sr. pessoalmente e gostaria de voltar para o Sr., se os conhecidos dele em Budapeste não fossem molestá-lo. Ele também tem algo contra Rekawinkel. No fundo, ele não quer nada. Eu mandei dizer a ele umas grosserias através da mãe. Aproveito a ocasião para dizer que está errado em cobrar apenas 10 coroas pela sessão, quando Sadger está cobrando 20. Veja, o Sr., as 10 coroas não retiveram o rapaz com o Sr., nem as 20 o impediram de procurar Sadger. Prometa-me corrigir-se!”

quarta-feira, 15 de maio de 2013

CARTAS DE FREUD... SOBRE O CARÁTER E OS LAÇOS

CARTA ENDEREÇADA A FERENCZI EM 30/05/1912


“Você conhece Biswanger, um homem extremamente honesto, sério e sincero, que é pouco talentoso, sabe disso e é muito humilde. Leu para mim um pedaço de um trabalho, no qual a Psicanálise é comparada com a psiquiatria clínica e que parte de pontos de vista corretos. Falamos também  de Jung, e ele contou que, embora  próximo a ele enquanto aluno, não espera nunca algo de sua afeição pessoal. Ele não é nenhum guia, atrai fortemente os homens e depois os rejeita com sua frieza e sua falta de consideração. Mas ele também poderia ser substituído. (...) Foi –me também solicitado que envie pacientes a Zurique. Eu realmente precisaria exercer uma influência tripla no mundo para suprir as necessidades de todos. (...) Antes de Pentecostes, houve ainda uma horrível cena entre Tausk, que é uma fera terrível, e Stekel, cena que teve toda sorte de efeitos como conseqüências. Nos últimos tempos, Stekel negligenciou suas visitas, evidentemente não está se sentindo a vontade, a mim parece que não estão excluídas surpresas, já que ele ainda está ligado a Adler. É assim que o bom e o mau se misturam.”

domingo, 12 de maio de 2013

CARTAS DE FREUD... EXPLORADO PELOS AMERICANOS

CARTA DE FREUD ENDEREÇADA A FERENCZI EM 22/10/1909

“Escrevo-lhe apressadamente, porque de outra forma não seria possível. A exploração é à americana. Quase não tenho tempo para viver, muito menos para trabalhar. Ainda por cima, Stanley Hall, em uma carta realmente amável, lembrou-me de minha promessa relativa às Cinco Lições. Por ora, terminei realmente apenas metade de uma página. Há muito menos pacientes chegando do que pacientes regulares, o que faz com que dificilmente eu possa redistribuí-los. Os pacientes são nojentos, proporcionando-me a oportunidade de realizar novos estudos técnicos(...) Uma pequena descoberta dos últimos dias alegrou-me mais do que poderiam os doze artigos do Dr. Aschaffenburg. Um filólogo, chamado Abel, publicou no ano de 1884 um escrito denominado “Os sentidos opostos das palavras primitivas”, que afirma nada mais nada menos que, em muitas línguas – no egípcio antigo, no sânscrito, no árabe, e mesmo no latim – oposições são expressas com a mesma palavra. O Sr. facilmente adivinhará que aspectos de nossas observações sobre o Ics são dessa forma confirmados. Há muito tempo não me sentia tão triunfante. Estou me ocupando também do Leonardo da Vinci.”

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CARTAS DE FREUD... CONVERSA COM JUNG


CARTA ENDEREÇADA A FERENCZI EM 26/12/1912


“E agora, sobre Jung. Depois da reunião, às 11h, fizemos o passeio combinado, que tinha como objetivo uma conversa. Eu perguntei diretamente o que ele tinha e o que significava sua insistência no ‘gesto de Kreuzlingen’. Então, ele veio com a reclamação que eu teria me dirigido a seus inimigos, Biswanger e Häberlin, e impedido que ele me encontrasse, pelo fato de comunicar a ele minha visita somente quando ele já havia retornado. ‘O que o Sr. diria se  eu lhe escrevesse depois dizendo que havia estado na Wiene Neustadt?’. Eu reconheci que isso não seria honesto de sua parte, mas que não era meu caso, pois eu havia escrito sobre a viagem na quinta à noite, antes de Pentecostes, a ele e a Biswanger, ou seja, naquele momento, ele também já deveria saber e poderia ter vindo, se quisesse. Não, respondeu ele: ele teria recebido meu cartão somente na segunda de manhã, quando já era tarde demais (já que parti na segunda ao meio-dia). Eu permaneci firme, e então aconteceu algo totalmente inacreditável e inesperado. Subitamente, ele disse a meia-voz: ‘No sábado e no domingo estive ausente, velejando, e só voltei na segunda de manhã’. E aí, eu tinha a faca e o queijo nas mãos, sabendo aproveitar bem a situação. Perguntei-lhe se não havia tido a idéia de observar o carimbo do correio no cartão, ou então perguntar à sua mulher, antes de me acusar detê-lo informado propositalmente tarde demais. Quais repreensões faria a um paciente que não fundamentasse de outra forma a sua suspeita? Ele estava absolutamente derrotado e envergonhado, e admitiu tudo: que há muito tempo temia que a intimidade comigo ou outros prejudicasse sua independência e que por isso decidira recolher-se; que de fato, ele me construíra a partir do complexo  paterno e tinha medo do que eu poderia dizer de suas modificações, de seu particular modo de expressar-se; que ele certamente não tinha motivos para estar desconfiado, que o ofendia ser visto como um louco complexado, etc. Eu não o poupei de nada, disse-lhe calmamente que uma amizade com ele não poderia ser mantida, que ele mesmo havia evocado uma intimidade com a qual ele viria a romper tão brutalmente depois; que ele não estava bem com o Homem, com o masculino em geral, não apenas comigo, mas também com os outros; que ele repelia a todos depois de um certo tempo. Todos os que estavam comigo provieram dele, por ele tê-los expulso; que o fato de se referir à triste experiência com Honegger lembrava-me os homossexuais ou anti-semitas, cujas tendências se manifestam depois de uma experiência com uma mulher ou com um judeu. Que ele se comportava como um bêbado que grita incessantemente: não acreditem que eu esteja bêbado, apresentando inequivocamente uma reação neurótica; que eu me havia enganado sobre ele num ponto, quando o considerei um dirigente nato que, através de sua autoridade, poderia poupar aos outros muitos erros, mas ele não era assim, era imaturo e descontrolado, etc. Ele não me contradisse e admitiu tudo. Penso que isso tenha lhe feito bem. Se ele fosse alguém que conseguisse incorporar impressões vividas, eu acreditaria numa mudança duradoura. Mas há um núcleo de falsidade em sua natureza que lhe permitirá diluir as impressões. A invenção do gesto de Kreuzlingen já tem esse caráter. Uma outra prova é a seguinte: ele jurou por tudo no mundo não ser verdade que havia falado mal de mim, já no ano do Congresso de Salzburgo, num repentino capricho, que depois passou. ‘O que dizem as pessoas! Se eu quisesse acreditar no que falam sobre o Sr.!’. À noite falei então com Jones, que me assegurou ter ele mesmo ouvido o tal discurso de Jung. Jung despediu-se às 5 horas com as palavras: ‘O Sr. me encontrará sempre devotado à causa’. Ficamos juntos até o momento da despedida. Infelizmente não tive um bom dia. Cansado da semana e de uma noite em claro no trem, tive, à mesa, uma crise de angústia, semelhante àquela no Essighaus em Bremen, quis levantar-me e desmaiei por um momento. Mas eu mesmo me levantei e por algum tempo tive náuseas, que à noite se transformaram em uma dor de cabeça e bocejos, um resíduo de meus males de verão. Na noite de volta à Viena, dormi muito bem e cheguei aqui muito bem.”